# Babel à Portuguesa: A Fragmentação Silenciosa de um País que Se Julgava Imune

**Um ensaio sobre como as redes sociais estão a reescrever o contrato social português — e o que ainda podemos fazer**

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*"O radical é o novo normal."*
— Susana Salgado, investigadora em comunicação política, ISCSP (2024)

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## I. A Exceção que Deixou de o Ser

Durante décadas, Portugal foi apresentado nos congressos de ciência política europeus como uma curiosidade reconfortante: a democracia ocidental onde a extrema-direita não conseguia sequer eleger um deputado. Enquanto a Frente Nacional ganhava terreno em França, o AfD se instalava no Bundestag e o Vox irrompia em Espanha, os portugueses exibiam uma espécie de imunidade civilizacional. O 25 de Abril, dizia-se, tinha vacinado o país contra os autoritarismos. A revolução tinha sido feita com cravos, não com balas. O consenso democrático era sólido.

Era. Em 2019, o Chega elegeu um deputado solitário. Em 2022 tinha 12. Em março de 2024 quadruplicou para 50, com mais de 1,1 milhões de votos. Em maio de 2025, conquistou 60 lugares — ultrapassando o PS e tornando-se o maior partido da oposição. No Algarve, foi o partido mais votado. No estrangeiro, os seus votos sextuplicaram entre 2022 e 2025.

Seis anos. De zero a segunda força parlamentar. Nenhum analista sério previu esta velocidade. Porque nenhum modelo clássico de ciência política a explicava. O que a explica é precisamente aquilo que Jonathan Haidt descreveu para os EUA: a torre caiu, e nós estávamos a olhar para o outro lado.

## II. O Mesmo Veneno, Um Organismo Diferente

A tese central de Haidt é que entre 2009 e 2012, a introdução dos botões "Like", "Retweet" e "Share" — combinados com algoritmos optimizados para engagement emocional — transformou as redes sociais de ferramentas de conexão em arenas de performance pública, amplificando os extremos, silenciando os moderados e corroendo os três pilares das democracias funcionais: capital social, instituições sólidas e narrativas partilhadas.

O paralelismo para Portugal não é uma analogia forçada. É quase uma réplica laboratorial — com uma diferença crucial de temporalidade. Aquilo que nos EUA se manifestou a partir de 2012-2015, em Portugal acelerou violentamente a partir de 2020-2024. Tivemos um atraso de cerca de meia década, o que nos poderia ter dado tempo para nos prepararmos. Não nos preparámos.

Segundo o Digital News Report Portugal 2024 (OberCom/Reuters Institute), 63% dos portugueses utilizam as redes sociais como principal fonte de notícias. A confiança nas notícias em geral caiu 10 pontos percentuais entre 2015 e 2024. A percentagem de portugueses preocupados com a desinformação na Internet atingiu os 71% em 2025 — significativamente acima da média global de 58%. O Facebook e o TikTok foram apontados como as plataformas mais associadas ao risco de desinformação, com 56% e 55% respetivamente.

Isto não é uma perceção abstrata. Em 2024, pela primeira vez na história democrática portuguesa, foi detetada intervenção eleitoral estrangeira: investigadores do MediaLab CIES-ISCTE descobriram anúncios patrocinados no YouTube pagos por uma empresa estrangeira, posteriormente confirmada pelo Bellingcat como ligada a uma agência publicitária argentina. Entre as legislativas de 2024 e as de 2025, as publicações sobre imigração no Facebook em Portugal aumentaram mais de 200%, e as narrativas desinformativas dominantes giraram em torno da ideia de que "Portugal está a ser invadido" e de que existe um processo de "islamização" em curso.

A torre de Babel portuguesa não caiu de uma só vez. Ruiu em câmara lenta, enquanto discutíamos se era sequer possível que caísse.

## III. A Pistola de Dardos à Mesa do Jantar

Haidt utiliza a metáfora de mil milhões de pistolas de dardos distribuídas pelo mundo: cada publicação é um dardo que pode humilhar, silenciar ou destruir reputações sem processo justo. A consequência é que os moderados se calam, os extremistas dominam, e o compromisso político se torna impraticável.

Em Portugal, esta dinâmica tem uma expressão particularmente dolorosa: a fragmentação familiar. A Ordem dos Psicólogos Portugueses documentou em 2024 um fenómeno crescente de famílias onde os consumos digitais individuais estão a criar novos fossos geracionais. A vice-presidente Sofia Ramalho descreveu-o como um padrão que se repete em muitos agregados: pais que votam à esquerda desde sempre descobrem, estupefactos, que os filhos votam na extrema-direita. Filhos que consomem exclusivamente TikTok e YouTube vivem em universos informativos totalmente separados dos pais. O caso paradigmático reportado pela Lusa — de uma mãe que só descobriu as convicções políticas do filho após as legislativas de março de 2024 — é revelador não pelo seu dramatismo, mas pela sua banalidade.

Um estudo do Instituto Politécnico de Coimbra, publicado na revista *Social Sciences* em 2024, analisou jovens primeiros-votantes (18-21 anos) e concluiu que indivíduos com atitudes populistas tinham 27% mais probabilidade de apresentar polarização afetiva — hostilidade emocional ativa contra quem pensa de forma diferente. O apoio a narrativas da direita radical estava associado a um aumento de 27,6% nos níveis de polarização. E a plataforma utilizada era um fator decisivo: os utilizadores do X (ex-Twitter) apresentavam níveis de polarização significativamente superiores aos do Instagram, pela sua natureza de debate textual e confronto ideológico.

Os dardos em Portugal não são só digitais. Transformam-se em silêncios à mesa do jantar, em temas que se evitam no almoço de domingo, em famílias que deixaram de falar de política — não por consenso, mas por medo. A investigadora Susana Salgado, do ISCSP, alertou que existe uma tendência crescente para utilizar a polarização como arma política deliberada, e que a combinação entre incitação ao ódio, liberdade de expressão sem limites e campanhas de desinformação tem impactos "perversos" na qualidade do discurso e na possibilidade de compromisso.

## IV. A Estupidez Estrutural à Portuguesa

Haidt argumenta que a América não ficou mais estúpida porque os americanos ficaram menos inteligentes. O problema é estrutural: quando a dissidência interna é punida, as más ideias são promovidas a política oficial. É o que ele chama de "estupidez estrutural" — o processo pelo qual as instituições disparam dardos no próprio cérebro.

Portugal tem a sua versão. Mas, ao contrário dos EUA, onde a estupidez se manifesta de forma simétrica (direita conspirativa, esquerda identitária), em Portugal o fenómeno tem uma assimetria marcada. A estupidez à direita é ruidosa, viral e algoritmicamente amplificada: teorias de substituição étnica, narrativas de invasão migratória, importação acrítica da retórica Bolsonaro-Trump. O sociólogo Marcus Nogueira identificou em 2024 que a rede do Chega é conscientemente alimentada pelo ecossistema bolsonarista internacional, partilhando não apenas narrativas mas estratégias de ocupação digital.

A estupidez à esquerda, em Portugal, é diferente da americana. Não é tanto a cultura do cancelamento académico (que existe, mas com menos intensidade). É mais uma estupidez de complacência: a recusa em admitir que um milhão de portugueses votaram no Chega por razões que merecem ser compreendidas — não validadas, mas compreendidas. É o reflexo de catalogar automaticamente como "fascistas" cidadãos que, em muitos casos, estão a expressar frustração legítima com habitação inacessível, salários estagnados, serviços públicos degradados e uma sensação de que as elites políticas do centro vivem num mundo paralelo. Quando a esquerda institucional substitui a análise pela indignação moral, dispara dardos no próprio cérebro e perde a capacidade de reconquistar quem se sente abandonado.

O resultado é um vácuo de sentido no centro. PS e PSD, que durante 50 anos alternaram no poder como os dois pilares do templo democrático, veem agora as suas fundações corroídas — não por um terramoto, mas pela humidade persistente da desconfiança.

## V. Os Números que Não Mentem (mas que Também Não Falam Sozinhos)

Olhemos para a evolução da abstenção como termómetro da saúde democrática. Em 1975, com a memória fresca da ditadura, apenas 9% dos portugueses se abstiveram. A partir daí, a tendência foi consistentemente ascendente, culminando no recorde de 51,43% em 2019 — o ano em que a maioria dos portugueses optou por não votar.

Curiosamente, a tendência inverteu-se parcialmente em 2024 (40,16%) e estabilizou em 2025 (41,77%). Mas esta inversão não é necessariamente uma boa notícia. Coincide com a entrada em força do Chega e da Iniciativa Liberal — partidos que mobilizaram sectores previamente desmobilizados, não pela oferta de compromisso mas pela promessa de ruptura. Os portugueses não voltaram a votar porque recuperaram a confiança nas instituições. Voltaram porque descobriram uma forma de expressar a fúria.

No estrangeiro, onde o controlo social é menor e o algoritmo é rei, os números são reveladores: entre 2022 e 2025, os votos no Chega entre emigrantes passaram de 14 mil para 92 mil. Em paralelo, os votos nulos explodiram de 34 mil para 113 mil. Os portugueses na diáspora estão simultaneamente mais mobilizados e mais radicalizados.

Entretanto, a saúde mental dos jovens portugueses continua a deteriorar-se. O Estudo Nacional de Saúde 2025 (Marktest/Medicare) revelou que 49,8% dos jovens entre 18-24 anos apresentaram sintomas de ansiedade, burnout, ataques de pânico ou depressão nos últimos 12 meses. Metade da população reporta níveis elevados de stress. Um estudo da FPCE da Universidade de Coimbra encontrou que 14% dos adolescentes apresentavam sintomatologia depressiva elevada durante a pandemia — uma percentagem superior à registada durante a crise financeira de 2009-2014. O estudo HBSC/OMS 2022 revelou que 27,7% dos adolescentes portugueses se sentiam infelizes e 24,6% reportavam comportamentos autolesivos.

Haidt correlaciona nos EUA a explosão de ansiedade e depressão adolescente com a adopção massiva das redes sociais a partir de 2012. Em Portugal, os dados apontam na mesma direção, agravados pela pandemia, pela crise habitacional e pela ausência de perspetivas. Gerações inteiras estão a crescer num ambiente onde a indignação é a moeda corrente, o compromisso é sinal de fraqueza, e a complexidade é reduzida a *reels* de 30 segundos.

## VI. O Que Torna Portugal Diferente (e Por Que Isso Ainda Importa)

Até aqui, o diagnóstico pode parecer uma cópia decalcada da crise americana. Mas há diferenças estruturais que são simultaneamente a nossa vulnerabilidade e a nossa oportunidade.

**A dimensão.** Portugal tem 10 milhões de habitantes. Num país pequeno, as redes de confiança interpessoal são mais densas. O vizinho, o professor, o presidente da junta são figuras próximas. A distância entre o cidadão e o poder local é curta. Isto significa que o "capital social" de que fala Haidt — e que nos EUA se erodiu dramaticamente — em Portugal ainda existe em muitas comunidades, embora enfraquecido. É mais difícil demonizar o outro quando se cruza com ele na padaria.

**O sistema semipresidencial.** Como Christian Lynch, do Política Viva, sublinhou, o sistema parlamentar português oferece uma proteção que o presidencialismo americano ou brasileiro não dá. O primeiro-ministro responde perante o parlamento, os governos minoritários são estruturalmente incentivados ao compromisso, e o Presidente da República funciona como moderador institucional. Não é infalível — mas é um amortecedor.

**A ausência (ainda) de um ecossistema mediático polarizado.** Portugal não tem um Fox News nem um MSNBC. A SIC, a TVI e a RTP competem ferozmente pelas audiências, mas nenhuma se posicionou como porta-voz ideológico de um lado do espectro. O problema não está nos media tradicionais, que mantêm padrões jornalísticos razoáveis, mas no facto de serem cada vez mais irrelevantes para quem tem menos de 30 anos. Para esses, a fonte de informação é o TikTok — e no TikTok não há editores, não há contraditório, não há deontologia.

**A memória do 25 de Abril.** Ainda viva, mas a desvanecer-se. Para quem tem 20 anos, a revolução é uma abstração escolar, não uma memória familiar. Esta é talvez a janela mais crítica: estamos na última geração que convive directamente com quem viveu a ditadura. Quando essa ponte se romper, o anticorpo colectivo perderá potência.

## VII. O Que Podemos Fazer (Antes que o Cimento Seque)

Haidt propõe três eixos de reforma: fortalecer instituições, reformar redes sociais e preparar a próxima geração. Adaptemos ao contexto português com a provocação necessária e o realismo possível.

**Primeiro: parar de fingir que o problema é só dos outros.** A classe dirigente portuguesa — política, empresarial, académica, mediática — tem de abandonar o conforto da narrativa excepcionalista. Portugal não é imune. A investigadora Susana Salgado tem razão quando alerta que a regulação e a literacia digital podem já não ser suficientes. Mas isso não é razão para desistir delas — é razão para as complementar com algo mais profundo.

**Segundo: investir brutalmente em literacia mediática e digital.** Não como disciplina optativa perdida num currículo. Como prioridade nacional. Cada aluno que sai do 12.º ano deveria ser capaz de distinguir uma notícia de um texto de opinião, de identificar uma campanha de desinformação, de compreender como funciona um algoritmo. Portugal gasta fortunas em auto-estradas que já não precisamos. Gaste-se uma fração disso em preparar cidadãos para o século XXI.

**Terceiro: reformar o financiamento do jornalismo.** Quando o Global Media Group — dono do Diário de Notícias, do Jornal de Notícias e da TSF — paga salários com atraso e faz despedimentos colectivos, enquanto o V Congresso Nacional de Jornalistas convoca a primeira greve em 40 anos, estamos perante um colapso do quarto poder que deixa o espaço público à mercê dos algoritmos. Portugal precisa de um modelo sustentável de apoio ao jornalismo de qualidade — sem compromisso editorial, mas com compromisso público.

**Quarto: levar a sério a regulação das plataformas.** A proposta de Haidt (e de Frances Haugen) de verificação de identidade dos utilizadores e limitação da partilha viral em cadeia é transponível para o quadro europeu. O Digital Services Act da UE é um começo, mas a sua implementação em Portugal tem sido tímida. A CNE — Comissão Nacional de Eleições — deveria ter competências e recursos para monitorizar em tempo real a desinformação eleitoral, como parcialmente fez em 2025 com o protocolo com o MediaLab CIES-ISCTE.

**Quinto: recuperar o debate presencial.** Isto pode parecer ingénuo, mas é talvez o mais importante. A tradição portuguesa da tertúlia, do café como espaço público, do debate acalorado mas face a face, é um antídoto natural para a toxicidade digital. Quando se discute com alguém que se vê nos olhos, a desumanização é mais difícil. Juntas de freguesia, associações culturais, clubes desportivos, movimentos cívicos locais — todas estas estruturas são trincheiras contra a atomização. Financiá-las, valorizá-las e devolver-lhes protagonismo é investir no capital social que as plataformas corroem.

**Sexto — e mais difícil: ouvir o milhão.** O milhão e cem mil portugueses que votaram no Chega em 2024 não são um bloco monolítico de fascistas. Muitos são cidadãos que se sentem traídos por um sistema que prometeu prosperidade europeia e lhes entregou rendas incomportáveis, listas de espera intermináveis e filhos que emigram. Chamar-lhes fascistas não os convence — radicaliza-os. Compreender as suas frustrações legítimas sem validar respostas autoritárias é o trabalho mais difícil e mais necessário da democracia portuguesa.

## VIII. Depois de Babel

Haidt termina o seu ensaio com uma nota de esperança cautelosa: a maioria dos americanos pertence à "maioria exausta", cansada do conflito e disposta ao compromisso. Organizações cívicas proliferam, pontes estão a ser construídas.

Portugal tem a mesma maioria exausta. Tem, aliás, uma vantagem: ainda não se fragmentou tanto que as pontes sejam impossíveis. O cimento ainda não secou. Mas vai secar. Cada ciclo eleitoral onde a indignação algorítmica substitui o debate racional, cada geração que cresce a confundir *likes* com legitimidade, cada instituição que se autocensura por medo do linchamento digital — é mais uma camada de argamassa que endurece.

A pergunta que Haidt faz para os EUA aplica-se com igual urgência a Portugal: faremos alguma coisa?

A resposta não pode vir de cima. Em Portugal, como na América de Tocqueville, são as associações voluntárias, as comunidades locais, os cidadãos que ainda acreditam que a democracia é um projecto colectivo, que terão de reconstruir o que os algoritmos destroem. Não por romantismo. Por necessidade.

Porque Babel, como nos ensina o Génesis, não foi destruída por um inimigo externo. Caiu porque os seus construtores deixaram de se entender.

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## Referências

- Haidt, J. (2022). "Why the Past 10 Years of American Life Have Been Uniquely Stupid." *The Atlantic*, maio 2022.
- Ferreira, G. B. & Ferreira, L. S. (2024). "The Polarization Paradox: Social Media, Young Voters, and the Challenges to the Open Society." *Social Sciences*. Instituto Politécnico de Coimbra.
- OberCom / Reuters Institute (2024). *Digital News Report Portugal 2024*. Observatório da Comunicação.
- OberCom / Reuters Institute (2025). *Digital News Report Portugal 2025*. Observatório da Comunicação.
- MediaLab CIES-ISCTE / CNE (2025). *Legislativas 2025 – Informação e Desinformação nas Redes Sociais*. OberCom/IBERIFIER.
- Salgado, S. (2024). Entrevista à Rádio Renascença, 4 de abril de 2024.
- Ramalho, S. / Ordem dos Psicólogos Portugueses (2024). Declarações à Lusa, 29 de junho de 2024.
- Marktest/Medicare (2025). *Estudo Nacional de Saúde 2025*.
- Gaspar, M. et al. (2022). *Ecossistemas de Saúde dos Adolescentes Portugueses: Estudo HBSC/OMS 2022*. Ordem dos Psicólogos Portugueses.
- FPCE - Universidade de Coimbra. Estudo sobre sintomatologia depressiva em adolescentes durante a pandemia COVID-19.
- LLYC (2024). "Polarization in Portugal's Media and Social Networks: A Call for Change." Novembro 2024.
- Instituto +Liberdade. "Evolução da taxa de abstenção nas eleições em Portugal."
- Edelman Trust Institute (2025). *Edelman Trust Barometer 2025*.
- Gurri, M. (2014). *The Revolt of the Public*. Stripe Press.
- Pinto-Martinho, A. et al. (2024). "Portugal." In *Reuters Institute Digital News Report 2024*. Oxford: RISJ.
- Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. Dados eleitorais oficiais, legislativas 2019-2025.
